sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

DEPRESSÃO



                        Em junho de 2001, fomos ouvintes das maiores autoridades mundiais nos Estados Unidos, que abordaram assuntos ligados à globalização da economia, centralizados na melhoria da qualidade de vida da pessoa humana.
As discussões giraram em torno das idéias de uma globalização voraz, de uma competição, muitas vezes, desleal, desprovida de caráter social e, portanto, atingindo a competitividade na área profissional de modo nocivo à sociedade, atrelando todos a interesses de grupos econômicos e empresariais, inclusive profissões e profissionais liberais. Neste enfoque, já podemos concluir que a ética, a liberdade e a moral ficam comprometidas. Dessa forma, não nos surpreende que, aliado ao assunto da globalização, fosse abordado com maior ênfase o tema “Transtorno afetivo bipolar”, ou seja, a “depressão”, sob os enfoques de depressão de caráter hereditário, a de formação reativa e a depressão em desenvolvimento.
Para os profissionais da saúde que se dedicam à pesquisa e ao tratamento da doença, às dificuldades da pessoa depressiva e do seu entorno (família, trabalho), ficam mais claros a intensidade de sentimentos (de tristeza e de euforia), as oscilações de humor e a inadequação do comportamento. Para os leigos, ou melhor dizendo, para os familiares, fica claro que o que “está por vir” em forma de explosão é sempre uma incógnita, uma insegurança, um não-saber-por quê.
Globalização voraz x depressão. Desajuste do homem moderno que, na busca de si mesmo, encontrou na evolução científico-tecnológica respostas para o mundo, necessidades inimagináveis e um vazio imenso em si mesmo e no significado da vida. Talvez essa seja a razão que explica a doença do século: depressão.
Os sintomas são por nós conhecidos: tristeza, desânimo, vontade de chorar, insegurança, medo inexplicável, isolamento, desejo de ficar só, evitando o encontro em festas, encontros com a família e, quando mais grave, idéias pessimistas e suicidas, com o risco de cometer suicídio.
Como se trata de doença bipolar, acompanham-na sentimentos antagônicos, maníacos, ou seja, insônia, fala exagerada, inquietação, nervosismo, ansiedade, compulsividades, como compras exageradas (sem condições para), saídas sem rumo, falas de grandeza, falas sem significado, desconexas.
Voltando um pouco ao início da nossa fala neste artigo quando nos referíamos ao encontro do qual participamos, lembramos a abordagem feita sobre o extraordinário desenvolvimento por que passa o mundo em todas as áreas do conhecimento. Nesse campo, estão em primeiro lugar as pesquisas de saúde e saúde pública. Foram debatidas idéias de que, em 2020, teremos alcançado tal evolução que a maioria das doenças será controlada por vacinas, como, por exemplo, a Aids. Outras poderão ser monitoradas pela tecnologia, como a diabete e a hipertensão arterial. Há idéias fantásticas também de caráter ecológico, como o emprego de materiais degradáveis e o uso adequado de invólucros, hoje de vidro e de plástico, que seriam, ou melhor, serão substituídos por materiais confeccionados de resíduos agrícolas, tornando o continente e o conteúdo produtos com o mesmo ou igual tempo de validade.
Tais discussões nos empolgam, porém não foram menos calorosas as discussões sobre o consumo de água potável, em falta a partir de 2020, e sobre as doenças que necessitarão de atendimento durante a vida toda. As vacinas, as novas descobertas da genética, a evolução dos transplantes, os novos produtos químicos recuperadores resolveriam, em boa parte, e a medicina preventiva teria uma ênfase especial. Mas a medicina curativa, de acompanhamento contínuo também foi amplamente discutida, principalmente as doenças de caráter psíquico, como a depressão.
A depressão é considerada (o foi nesse encontro) a principal doença nos Estados Unidos não só do ponto de vista dos danos à pessoa, mas também dos danos à nação pelos dias de serviços perdidos, com prejuízos incalculáveis, seja pelo afastamento do trabalho, seja pelo tratamento exigido pela mesma.
A depressão leva a outras doenças, ou seja, às vezes, leva à procura do álcool, que funciona como remédio, depois, ao vício, à dependência, associando-se às drogas, ou, então, passa a somatizar, a colocar no corpo outras doenças, às vezes, intratáveis por terem sua origem no psiquismo humano.
As manias, que são parte da sintomatologia, às vezes são estados inebriantes de prazer e de euforia, mas que interferem nos relacionamentos, na produtividade. A pessoa depressiva faz um grande mal a si mesma. A doença maníaco-depressiva tem tratamento, tem medicação, no entanto o principal problema está na recusa dos pacientes em aceitar se tratar.
Há um estigma em relação à mesma, que conduz a pessoa a negá-la a si mesma e aos outros, principalmente por medo e insegurança. É uma doença que altera o estado de humor, os pensamentos, que destrói a fase racional. É orgânica, fisiológica nas suas origens, mas dá a impressão de ser psicológica.
Após o que demonstramos, chegamos à conclusão, com dados estatísticos, que realmente é a principal doença do mundo desenvolvido. No entanto, queremos reforçar que a maioria dos pacientes não procura os médicos e, quando o fazem, são por queixas somatizadas. Não procuram os especialistas, os psiquiatras, por medo, pelos estigmas antes mencionados.
Devemos ainda lembrar que o mais importante no tratamento é o ato do indivíduo, do paciente decidir se tratar. É a primeira evolução benéfica e produtiva. Chegar ao especialista com tal decisão, certamente é o primeiro grande passo para o controle (cura) da doença.
Uma boa entrevista dará ao paciente a segurança e a confiança necessárias, para, então, estender-se ao uso de psicofármacos. Os primeiros resultados começam a aparecer em aproximadamente oito dias. O tempo do tratamento será determinado pela gravidade da doença, podendo perdurar para sempre e nunca (ou quase nunca) por menos de um ano, às vezes continuado.
Voltamos a lembrar que os danos sociais e relacionais que a mesma provoca necessitam ser recuperados e redimensionados pela psicoterapia de sustentação para que o paciente possa compreender e administrar melhor os seus problemas e o seu próprio tratamento.
Podemos concluir que a recuperação está em primeiro lugar no paciente ao procurar o tratamento; em segundo, no terapeuta; em terceiro, no remédio e, por fim, na ajuda e na compreensão da família. Ninguém quer adoecer. A doença vem sem aviso prévio. Depende de todos (paciente, terapeuta e família), devolver a felicidade, a qualidade de vida, a busca de um meio psicossocial adequado e produtivo ao doente.

Albino Julio Sciesleski, Marisa Potiens Zilio

Que criança é esta?

Crianças com falta de atenção ou superativas têm o que se chama de transtorno de déficit de atenção / hiperatividade (TDAH), que nos faz recordar das queixas dos pais:
“ – Que mania é essa de deixar as portas abertas, as roupas pelo
chão, as luzes acesas?”
“ – Por que nunca presta atenção no que eu falo, fazendo com que
tenha que repetir?”
“ – Por que esquece sempre o que foi dito ou combinado?”
“ – Onde é mesmo que você está com a cabeça?”

Essas perguntas, que parecem ser freqüentes a todos os pais de crianças pequenas, na verdade não são tão comuns, acontecem em 3 a 9% das famílias que possuem filhos com TDAH.

No início, os pais pensam que a criança é agitada, às vezes, muito esperta. Não sabem esperar, tampouco ouvir. Dizem: “ – Quando percebemos..., já fez!”. Esse “já fez” não raramente é inadequado, ou melhor, cheio de imprecisões, mas necessariamente não pouco inteligente, pelo contrário TDAH não tem a ver com inteligência.

Depois de algum tempo, as preocupações parecem aumentar:
“ – Esta criança é muito impulsiva, não conseguimos educá-la! Não se senta direito à mesa, derruba quase tudo; está sempre desleixada e suas coisas são uma bagunça! É impossível lidar com ela! Os parentes?! Bem, já achamos que nossa visita não é tão agradável assim... Já não nos convidam para muita coisa... Na escola, então, é um problema. A professora diz que ela não presta atenção, não pára quieta, não obedece às ordens e incomoda os amiguinhos. Suas tarefas de casa e seu caderno são incompletos. Desse jeito não irá passar de ano!”.

Esse transtorno prejudica a criança não apenas na escola, onde apresenta níveis baixos de desempenho e disciplina, transtornos na leitura, repetições, mas também afeta sua família e todos os ambientes nos quais participa.

Na adolescência e na vida adulta (principalmente quando não se faz tratamento), resulta em mau desempenho e mediocridade no aproveitamento acadêmico e profissional. Adultos tendem a permanecer
em situação socioeconômica mais baixa, mudam constantemente de emprego, são advertidos e multados no trânsito e levam muito mal suas uniões, resultando em separações. Enfim, o índice de fracassos socioeconômicos e afetivos aumentam consideravelmente em indivíduos portadores desse transtorno.

O diagnóstico deve recorrer a uma entrevista cuidadosa, com observância relevante das queixas familiares; deve preencher os critérios (no mínimo seis) estabelecidos pelos códigos internacionais de doenças (DSM-IV). 

As crianças com desatenção apresentam os seguintes sintomas freqüentes:

a) falha em prestar atenção em detalhes, trabalhos ou outras tarefas por descuido;
b) dificuldade em manter a atenção em tarefas ou em atividades lúdicas;
c) parecem não ouvirem quando lhes falam diretamente;
d) não seguem instruções por completo, não concluem tarefas e afazeres no local de trabalho;
e) têm dificuldades em organizações quaisquer;
f) sempre evitam, rejeitam ou são relutantes em se envolver em tarefas que exijam esforço mental constante;
g) perdem coisas necessárias para tarefas ou atividades (por exemplo: brinquedos, lápis, livros e ferramentas);
h) distraem-se facilmente com estímulo externo;
i) têm esquecimento das atividades diárias.

Já as crianças com hiperatividade apresentam os seguintes sintomas freqüentes:

a) movimentam nervosamente as mãos ou os pés ou se contorcem no assento;
b) levantam-se na sala de aula ou em outras situações nas quais se espera que permaneçam sentadas;
c) correm para lá e para cá, descem e sobem excessivamente em situações nas quais isso é inapropriado (em adolescentes e adultos pode se limitar a sentimento subjetivos de inquietação);
d) têm dificuldade em jogar ou se envolver tranquilamente em atividades de lazer;
e) em todos os lugares estão de saída ou agem como movidos a motor;
f) falam muito.

Crianças impulsivas apresentam os seguintes sintomas:

a) respondem impulsivamente antes que as perguntas terminem;
b) têm dificuldade em esperar sua vez;
c) interrompem ou se intrometem com os outros (por exemplo: em conversas ou jogos).

Quando tratada, a criança diminui a ansiedade e a impulsividade, permanecendo mais atenta e adequada às situações. Suas relações sociais melhoram e passa a ser mais aceita. Porém o tratamento é longo
e sua eficácia, parcial.

A comorbidade (associação com outras doenças) é comum em portadores de TDAH. Há que considerar, também, que crianças e adultos não tratados têm dificuldades de conviver com seus próprios limites e com a rejeição, sendo levados a distúrbios emocionais, como depressão, baixa auto-estima, pânico. O uso de drogas lícitas e ilícitas é sempre frequente. O portador da doença busca meios para conter sua ansiedade,
impulsividade e até mesmo sua depressão.

Quanto ao tratamento para este transtorno, os psiquiatras, psicólogos, neuropediatras e psicopedagogos são profissionais habilitados para trabalhar nesses casos. Essa investigação requer, muitas vezes, uma boa anamnese, avaliação psicológica e/ou psiquiátrica, avaliação da inteligência e investigação do cérebro (tomografia, eletro), qualidade da respiração e do sono.

O tratamento implica uso de medicamentos (próprios para cada caso) e psicoterapia, que trabalhará focada na aprendizagem e na reconstrução do equilíbrio emocional (tanto para o paciente quanto para seus familiares). No caso da criança e do adolescente, o psicopedagogo deverá trabalhar também com a escola para que os prejuízos sejam cada vez menores.

Exemplo de caso

J. R. não tinha limites desde criança. Na escola, rendia pouco, para tristeza de sua mãe, uma excelente e dedicada professora. Foi morar com os tios, sendo que a tia trabalhava noutra cidade. Logo de início foram combinados códigos de mútua ajuda para que tarefas como guardar roupas, fechar portas e organizar agenda pudessem ser cumpridas. Foi criado um ambiente de aceitação e de achar engraçado quando acontecia algo, até mesmo indesejado, ao invés de recriminá-los.
Na adolescência, acabou envolvendo-se com drogas e com más companhias e a convivência familiar tornou-se impossível, com muitas implicâncias e discussões.
Bater o carro, derrubar pessoas dentro do ônibus, deixar a geladeira aberta ou espalhar suas roupas eram fatos encarados como comuns e toda a família ajudava a compensá-los.
Mais tarde, quando encaminhado para o psiquiatra, passou a fazer tratamento medicamentoso e psicoterápico. Atualmente, é um adulto feliz. Concluiu o curso superior e chefia a produção na empresa da família, sendo considerado um ótimo diretor. Um bom diagnóstico e um bom tratamento sempre são compensadores.

Albino Julio Sciesleski, Marisa Potiens Zilio

Crianças Precisam de Ajuda

Iniciar uma reflexão com este título parece contraditório, pois crianças sempre necessitam de ajuda, para crescer, para se desenvolver, para aprender, para se socializarem. Enfim, quanto menor a criança, maior a sua dependência. No entanto, queremos falar de crianças que necessitam de ajuda especial, crianças cujo comportamento preocupa, crianças com depressão.

Muitos devem se perguntar: é possível pensar em criança deprimida? Não é a infância a idade da alegria, do prazer, da despreocupação?

Em resposta a essas questões podemos dizer que a depressão é um mal silencioso que atinge tanto adultos como crianças. A depressãoinfantil vem sendo observada, diagnosticada e tratada nos últimos anos. A Organização Mundial da Saúde, em suas últimas estatísticas, mostra que até os 12 anos de idade, aproximadamente 3 a 4% das crianças convivem com sintomas depressivos leves, moderados e graves. A depressão infantil, quando não tratada, pode aparecer em outros momentos da vida e tornar-se mais complicada.

O transtorno depressivo infantil é um transtorno do humor capaz de comprometer o desenvolvimento da criança ou do adolescente e de interferir em seu processo de maturidade psicológica e social, chegando a causar problemas graves no lar, na escola. E, quando não percebido, pode inclusive levar ao suicídio.

As crianças, quando depressivas, não sabem o que realmente acontece com elas. A tendência é que tentem contornar as dificuldades de maneira imperceptível, até mesmo para elas. Nessa fase, o comportamento das crianças muda sutilmente. Os pais, por conviverem por mais tempo com os filhos, são os que notam essas mudanças de atitudes. Porém, apesar de tamanha gravidade da depressão na infância e na adolescência em relação à qualidade de vida, ao suicídio, às dificuldades na escola, no trabalho e no ajuste pessoal, esse quadro não tem sido devidamente valorizado por familiares e pediatras, nem adequadamente diagnosticado. Os pais, muitas vezes, não se aproximam para saber o que está acontecendo, sem repreender e sem prestar a devida atenção. Na escola, não raro, muitos professores não percebem ou não têm habilidade suficiente para notar e avaliar a mudança no comportamento do aluno.

Pais, professores e médicos devem ser os principais observadores das modificações comportamentais, queixas e sintomas que ocorrem com crianças e adolescentes, para poderem diferenciar o que é uma tristeza comum causada por episódios esporádicos e o que pode ser uma possível depressão. É preciso saber identificar as perdas, as tristezas, os choros, o sono e verificar se não existe histórico semelhante na família, já que para que se tenha um bom diagnóstico, deve-se observar os casos de reação, bem como os casos de hereditariedade.

Embora na maioria das crianças a sintomatologia da depressão seja atípica, algumas podem apresentar sintomas clássicos da depressão, tais como tristeza, ansiedade, expectativa pessimista, mudanças nos hábitos alimentares ou no sono, e, ainda, problemas físicos, como dores inespecíficas, fraqueza, tonturas, mal-estar geral, que não respondem ao tratamento médico habitual.

Na criança e no adolescente, a depressão, em sua forma atípica, esconde verdadeiros sentimentos depressivos sob uma máscara de irritabilidade, de agressividade, hiperatividade e rebeldia, com violação das regras sociais anteriormente aceitas, oposição à autoridade, preocupações e questionamentos de adultos. As crianças mais novas, devido à falta de habilidade para uma comunicação que demonstre seu verdadeiro estado emocional, também manifestam a depressão atípica, notadamente com hiperatividade.

Isso tudo pode ter início com a perda de interesse pelas atividades que habitualmente eram interessantes, manifestando-se como uma espécie de aborrecimento constante diante dos jogos, brincadeiras, esportes, passeios com amigos etc., além da apatia e redução significativa da atividade. Às vezes, pode haver tristeza. De forma complementar, aparece diminuição da atenção e da concentração, perda de confiança em si mesmo, sentimentos de inferioridade e baixa autoestima, idéias de culpa e inutilidade, tendência ao pessimismo, transtornos do sono e da alimentação e, dependendo da gravidade, ideação suicida.

Analisando agora especificamente o comportamento, a depressão nessas faixas etárias pode causar deterioração nas relações sociais, seja com familiares seja com amigos, perda de interesse por pessoas e isolamento. As alterações cognitivas da depressão infantil, principalmente relacionadas à atenção, raciocínio e memória, interferem sobremaneira no rendimento escolar.

Um dos males desse tipo de depressão é a superproteção, causada por superpais ou superavós, pessoas que exageram em zelar pelos filhos, excedendo-se em cuidados de todo tipo, não permitindo que a criança ou o adolescente desenvolva auto-imagem e auto-estima positivas.

O tratamento de uma criança ou adolescente com depressão precisa ser adequado e contar com a ajuda de todos os envolvidos no processo – familiares, amigos, professores – e, ainda, precisa ser constante. Começa por saber ouvir a criança ou o adolescente; acreditar nas suas reclamações, notar seus sintomas. Deve-se pedir o auxílio aos professores quanto a dúvidas de comportamento, por exemplo, já que muitas crianças ou adolescentes passam mais tempo com seus professores do que com os pais, e, assim, uma conversa pode esclarecer muitas preocupações.

Evidentemente, que para todos os casos, deve-se procurar também a ajuda de um profissional, um médico de confiança da família. É importante frisar que em casos preocupantes é preciso que a família fique unida, não agindo com superproteção ou autoritarismo, mas com práticas sociais, escolares, esportivas e de lazer, para aumentar a autoconfiança da criança, buscar uma terapia psicológica e/ou psiquiátrica e, se necessário, seguir a receita de medicação, sempre evitar recaídas. 

Não podemos esquecer que a depressão é a terceira doença do mundo desenvolvido e a que mais cresce no momento e que o bom contato e o bom relacionamento com afeto são fundamentais, tanto para evitar como para descobrir e tratar a depressão em crianças.

Exemplo de caso
Maria tinha nove anos de idade, estava na 4ª série do ensino fundamental. Era considerada uma aluna nota dez. Essa criança, porém, começou a sentir fortes dores de estômago, também sentia tonturas e vomitava toda vez que se aproximava do horário de ir à escola.
Após um mês, seus pais decidiram nos procurar. Após várias entrevistas com os pais (aparentemente bem estruturados, sendo a mãe professora e o pai agricultor), sentíamos que havia, ainda, algum segredo não revelado.
Maria foi avaliada em sessões semanais e, aos poucos, foi adquirindo confiança e se desnudando, porém continuava se negando a ir à escola.
Finalmente, o problema emergiu: o pai havia se envolvido com outra mulher.
O medo da perda do pai, o medo do problema ser focado em ambientes sociais, o medo de se expor, levou Maria a uma depressão somatizada. Na sua cabecinha, o segredo tinha que ser guardado. Ao desvelar o que a afligia, Maria sentiu um alívio, pois estava protagonizando a dor de todos, que agora podia ser dividida. O que era segredo, passou a ser problema e para problemas busca-se soluções. O medo e a vergonha foram substituídos pelo desejo de enfrentamento. Maria foi medicada por curto período. A família se organizou. Maria pôde voltar à escola.


Albino Júlio Sciesleski, Marisa Potiens Zilio

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Meu Livro

Caros leitores,

Começarei a postar os artigos que integram o meu livro Ser Humano: o desafio na vida e no trânsito.

Espero que os ajudem a tirar dúvidas acerca do assunto.

Até mais...

sexta-feira, 30 de março de 2012

“VIVO COM SAÚDE”

Viver está custando cada vez mais caro.


Robert Fogel, Prêmio Nobel de Economia em 1993, em entrevista à Revista Veja, publicada em 06 de abril do corrente, refere-se ao setor da saúde como um dos motores da economia no século XXI, dizendo que “(...) é um equivoco achar que as pessoas devem gastar menos com a saúde (...) trata-se de um investimento social, econômico e pessoal, com retorno garantido”.


Fogel coloca, também, que os avanços tecnológicos encarecem a saúde. Na sua visão, todos (do Estado ao indivíduo) devem fazer um maior investimento na saúde. Diz, ainda, que “em suma, as pessoas estão pagando para viver mais tempo e com mais qualidade”.


No entanto, o que vemos em nosso país é uma situação caótica, que se não tiver um planejamento adequado com apoio da iniciativa privada, a organização de convênios e acesso aos serviços, poderá tal situação tornar-se irreversível a curto e médio prazo.


A Associação Médica do Rio Grande do Sul, AMRIGS, é, hoje, um dos órgãos mais representativos da classe médica e como tal, tais preocupações com a saúde deverão ser temas de debates desta Associação. Na reunião do Conselho de Representantes da AMRIGS,que ocorreu em Porto Alegre, no último dia 09 de abril, foi sugerida uma manifestação a todos representantes de saúde e da justiça incluindo Ministério da Saúde, Ministério da Justiça, Secretarias e Delegacias Estaduais e Municipais de Saúde, ONG’s e demais segmentos e órgãos competentes) revelando a preocupação desta Entidade com o descumprimento da Constituição Federal no que diz respeito à saúde pública, com repercussão a violência, criminalidade e morte, por não atender transtornos mentais, drogas e acidentes de causas muitas vezes desconhecidas.
Em amplo debate, nacionais devem ser levantadas soluções para resolver o problema da saúde pública brasileira como um todo. Nesse sentido destaca-se a AMRIGS como precursora de estudos relevantes na área.


Foram recomendados alguns temas debates como, por exemplo: a situação dos hospitais públicos; a qualidade dos cursos de medicina; a formação de médicos em áreas de carência; a distribuição de verbas públicas; situação dos convênios; dentre outros relevantes que devem ser planejados e implementados em sua totalidade e não discutidos individualmente.
Espera-se que estes debates e conseqüentes soluções sejam priorizados por médicos e autoridades e que, em breve possamos vislumbrar um novo cenário nestes setores.



Dr. Albino Júlio Sciesleski
Médico Psiquiatra
Conselheiro honorário da Associação Médica do Rio Grande do Sul(Amrigs).
Especialista em Psiquiatria e Medicina do Trânsito.
Comitê de Prevenção da Violência e Criminalid

I CONGRESSO INTERNACIONAL DA PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA E CRIMINALIDADE


Nunca se debateu tanto as questões que envolvem a violência e a criminalidade em todas as suas formas. Acreditamos que não possa ser diferente quando a humanidade está, pelas mais diferentes razões, perdendo seu próprio rumo.


Hoje, uma população de 7 bilhões de habitantes no nosso planeta tornou-se protagonista de profundas desigualdades e índices assustadores de suicídios, homicídios, acidente de trânsito e conflitos, dentre outros. Só no Brasil os índices apontam mais de 160.000 mortes violentas por ano.


Assim, é imprescindível que se faça uma discussão ampla sobre o assunto, envolvendo profissionais da educação, da saúde, da segurança e da justiça. A mídia já o vem fazendo, porém sem propostas para soluções concretas e efetivas.
A AMRIGS, sendo uma das maiores associações representativas da classe médica, não pode furtar-se a este papel.


Temos tido relevantes discussões e trabalhos acerca do assunto em nossas reuniões. Mas temos que ampliar e abrir internacionalmente e interdisciplinarmente tais discussões. Também será nosso papel construir uma Carta de Intenções (propostas) a partir dos trabalhos apresentados e enviar para os órgãos competentes. Neste momento tão importante para os destinos da humanidade não podemos nos omitir.


De acordo com a ONU (Organizações das Nações Unidas) e com a OMS (Organização Mundial da Saúde), as mortes violentas como suicídio e acidentes de trânsito ocorrem, na sua grande maioria, por transtornos afetivos, como a depressão e 25% dos homicídios por exemplo, e pelo uso de drogas lícitas ou ilícitas.


Estatísticas apontam que, anualmente, no mundo, acontece uma morte a cada 30 segundos. No Brasil, o número de mortes coloca nosso país em 6º lugar no ranking dos países mais violentos. Um estudo nos mostra que 60% das mortes que ocorrem no Brasil se concentram nos finais de semana e 70% no Carnaval. No Rio Grande do Sul são mais 1.700 mortes por ano e mais de 50 mil lesões físicas com deficiências e seqüelas incapacitantes, sendo que 25% são provocadas por transtornos mentais.


Os índices apresentados acima corroboram com um cenário econômico preocupante: dias de trabalho perdidos e danos materiais os investimentos em educação, em saúde, em segurança e em justiça se mostram muito pequenos em relação ao crescimento do PIB. Isto, por si só é injustificável. Somente fazendo os cálculos adequadamente é que as autoridades competentes, juntamente com uma sociedade consciente, poderão redefinir a distribuição de verbas, redirecionando as mesmas para a saúde e educação, o melhor investimento do século.
Diante do exposto, a realização deste congresso , é de extrema importância. Uma vez aprovada a proposta, se faz urgente a escolha de uma comissão executiva para que de imediato se possa pensar no formato deste congresso e tomar todas as decisões e medidas cabíveis.


Como sugestão, pensamos que tal comissão deva ser formada por representantes de diferentes especializações como: Medicina do Trabalho,da Ortopedia e Traumatologia,Medicina do Tráfego,Neurologia,Oftalmologia,Psiquiatria.


Também sugiro o envio imediato de ofícios aos Ministros,Governadores,Associações Médicas, a mídia e outros.



Médico Psiquiatra
Especialista em Psiquiatria e Medicina do Trânsito
Membro Nato do Conselho de Representantes da Amrigs Comitê de prevenção da Violência e Criminalidade.

DIA NACIONAL CONTRA VIOLENCIA E CRIMINALIDADE

O assunto que nos leva a reflexões são as causas de mortes violentas no mundo. O suicídio, a principal causa de morte no mundo, também no Brasil, registra mais de 60 mil mortes por ano, sendo a depressão a sua principal causa.

O homicídio é a segunda causa de morte. No Brasil, registra mais de 50 mil mortes por ano , em 2006 chegou a ultrapassar as mortes em acidentes de transito. As últimas estatística nos dizem que 25% dos homicídios são provocados por pessoas com distúrbios mentais, muitos sem saber ou sem tratamento adequado. Nossos presídios, que estão lotados por pessoas com distúrbios mentais, não possuem nenhuma estrutura capaz de tratar e recuperar mental e socialmente tais indivíduos.

Em terceiro lugar a violência se apresenta nas mortes no transito que hoje ultrapassam os 40 mil mortes por ano no Brasil. Experiência em São Paulo mostrou que 60 % dos acidentes ocorriam de 6ªfeira á noite à domingo. Por quê? Certamente foi constatado que foi pelo uso abusivo de drogas ilícitas e principalmente licita associados muitas vezes, inclusive a medicação. Chama atenção os acidentes de causa desconhecidas.

Não podemos interferir nas mortes causadas por acidentes naturais, mas podemos e devemos interferir na violência presente nos homicídios, suicídios e acidentes de trânsito.

Desconhecemos outra forma senão a de que esta proposta passe pela educação e pela melhoria na saúde e na segurança.

Desta forma propomos a criação do Dia NACIONAL CONTRA A VIOLÊNCIA E CRIMINALIDADE .

Sugerimos que toda última sexta feira do mês sejam realizados debates nas escolas primárias, secundárias e universidades sobre a prevenção da violência e criminalidade. Na mídia escrita, falada e televisada igualmente. Que se faça o mesmo nas câmaras de vereadores, assembléias legislativas, câmara e senado que deverão apresentar propostas e projetos de lei sobre a prevenção e a terapêutica da violência. Nas Igrejas, que se possa debater o tema e imbuir os devotos num processo de fé sustentada pela oração.

Sugerimos ainda que na sexta feira que antecede o carnaval deveria ser dada uma ênfase especial ao “O dia do combate a violência e criminalidade em ações que envolvam a participação de toda comunidade.


PS- Projeto aprovado pelo Conselho de Representantes da Associação Medica do Rio Grande do Sul em 11/06/2011.


Dr.Albino Júlio Sciesleski
Medico Psiquiatra
Especialista em Medicina do Trânsito.
Conselheiro Nato da Amrigs e do Conselho de Prevenção da
Violência e Criminalidade.