segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

EPILEPSIA E TRÂNSITO: UMA RELAÇÃO ESTREITA


Associada a possessões divinas e demoníacas, a doenças contagiosas ou à loucura, a epilepsia, no decorrer da história, encontrou diferentes formas de definição, diagnóstico e tratamento. Em decorrência disso, muitos portadores foram e são vítimas do preconceito, fato que colabora para que numerosas pessoas tornem-se resistentes a admitir o diagnóstico ou a consentir em iniciar um tratamento adequado.
Teoricamente, a epilepsia é doença que provoca uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro. Entretanto, para ser considerada epilepsia, as convulsões não são necessariamente desencadeadas por febre, drogas ou distúrbios metabólicos.
A partir de estudos e pesquisas, em 1982 foi publicado, na Revista Brasileira de Medicina do Tráfego, o artigo sob o título “Epilepsia e a medicina do tráfego”. O artigo discorre, basicamente, sobre epilepsia e sua relação com o trânsito.
Na época em que o artigo acima citado foi escrito, vivíamos num Brasil em desenvolvimento. Tínhamos uma população de 120 milhões de habitantes, uma frota de aproximadamente 10 milhões de veículos e 22 mil mortes em acidentes de trânsito/ano. O índice do analfabetismo da população brasileira era de cerca 42% e uma significativa parcela da população não possuía acesso às condições básicas de saúde e moradia. Da mesma forma que o atendimento da saúde pública era precário, o acesso aos exames periódicos para motoristas era restrito, chegando quase que à inutilidade dos testes previstos em função da má aplicabilidade dos mesmos. Éramos, de certa forma, um país doente.
Com base nestes dados, foi realizado um trabalho junto ao Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo, que demonstrava a condição do indivíduo portador de epilepsia e a sua relação com o trânsito. Nesse estudo, constatou-se o seguinte:
·         que a pessoa epiléptica geralmente encobre sua doença e não a menciona no momento do exame médico;
·          que o motorista portador de epilepsia e não tratado é perigoso tanto para si, quanto para os familiares e demais pessoas;
·         que o Eletroencefalograma (EEG), quando bem feito, é um exame complementar de grande apreço quando há suspeita de epilepsia;
·         que o teste psicotécnico, quando realizado seriamente, também contribui para uma boa seleção;
·         que o exame médico minucioso é ainda o melhor exame para a habilitação de motorista.
A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 50 milhões de pessoas no mundo são portadores de epilepsia, sendo que destas, 40 milhões estão em países subdesenvolvidos. Apesar desse cenário alarmante, a organização afirma que 70% dos novos casos diagnosticados podem ser tratados com sucesso, desde que a medicação seja usada de forma correta. Embora apenas cerca de 2% da população mundial seja portadora da referida doença, existe, ainda, a dificuldade do paciente em tratar-se e, muitas vezes, há a interrupção do tratamento, seja pela falta de conhecimento, seja pelas dificuldades financeiras, culturais ou de acesso ao atendimento médico especializado.
A relação epilepsia X trânsito é mais estreita que parece: se para pessoas em condições normais de saúde, o trânsito nem sempre é dos melhores, para portadores de epilepsia ele pode ser ainda pior. Além de habilitações inadequadas e sinalização precária, nos deparamos com uma realidade cada vez mais presente: desrespeito e descaso para com regras básicas de trânsito. Contudo, sabemos que dirigir automóveis, para muitos, é uma necessidade e até mesmo fazem da direção uma profissão, como é o caso dos motoristas profissionais. Desta forma, do ponto de vista social, a “proibição” de dirigir veículos, é, provavelmente, um dos aspectos mais incapacitantes da epilepsia.
Há de se levar em consideração que os fatores estressantes do trânsito (poluição sonora, cansaço e altas velocidades, dentre outras), além de habilitações inadequadas, sinalização precária e desrespeito às regras básicas de trânsito, que podem gerar congestionamentos, atrasos e, principalmente, acidentes, podem desencadear os sintomas da epilepsia. Por ordem, os principais fatores desencadeadores de crises convulsivas são:
1º.      O uso concomitante de bebidas alcoólicas e outras drogas lícitas ou ilícitas;
2º.      O cansaço, a tensão nervosa e a sonolência provocados pelo próprio mau desempenho do tráfego e as horas excessivas de trabalho;
3º.      A falta de preparo para a função, inclusive pelas dificuldades sócio-econômicas e a falta de atendimento médico básico.
Diante disso, a restrição para dirigir veículos é reforçada pela percepção do perigo potencial de um indivíduo portador de epilepsia ter uma crise na direção de um veículo. Note-se que o perigo é representado tanto para o paciente quanto para outros usuários das estradas. Entretanto, de acordo com estatísticas, a freqüência de acidentes de trânsito com epilépticos pouco difere de acidentes causados por outros tipos de doença:
§  A bebida alcoólica representa até 1.000 vezes mais a causa de acidentes no trânsito dos que as crises epilépticas;
§  A morte súbita, presumivelmente de origem cardíaca, quando na direção de um veículo automotor também é mais prevalente que o acidente fatal por epilepsia;
§  Os índices de acidentes envolvendo motoristas portadores de epilepsia controlada são discretamente aumentados e similares àqueles provocados por condutores com outras condições médicas crônicas menos restritivas legalmente, como o diabetes mellitus, por exemplo.
Recentes avanços na área da saúde, no que tange ao diagnóstico e tratamento da epilepsia, aperfeiçoaram de modo significativo o controle da mesma. Assim, se faz necessária a revisão das estatísticas apresentadas quanto aos acidentes de trânsito que envolvem esta enfermidade. É valido colocar que para se habilitar como motorista, o candidato deverá submeter-se ao exame de aptidão física e mental (artigo 147 da Lei nº. 9.503, de 23 de setembro de 1997). Todavia, existem recomendações que devem ser feitas ao indivíduo com epilepsia que quer dirigir, como:
§  estar livre de crises no mínimo há um ano e com acompanhamento médico;
§  dirigir somente veículos da categoria B, isto é, carro de passeio.
§  não ser motorista profissional, isto é, não conduzir veículos pesados e transporte público, mesmo livre de crises há anos.
A princípio, a condição de portador de epilepsia e o fato de usar medicamentos antiepilépticos não incompatibilizarão o candidato à direção de veículos, salvo se o quadro não estiver controlado, sujeitando-o a freqüentes crises com alteração de consciência. Pessoas com intervalos curtos entre as crises não devem dirigir e aquelas com longos intervalos entre suas crises podem ser consideradas capazes de dirigir com segurança.
A permissão para dirigir veículos ou a renovação da habilitação para pessoas portadoras de epilepsia é um problema que envolve peritos e examinadores, bem como médicos que promovem o tratamento destes pacientes. A epilepsia é uma condição médica reconhecida como de risco para a segurança de direção veicular.
Em janeiro de 1998 entrou em vigor o novo Código de Trânsito Brasileiro, que tem como principal objetivo transformar o trânsito em algo mais humano e civilizado, ou seja, combater da melhor maneira possível os acidentes de trânsito. Este código, em vigor desde então, prevê várias medidas no sentido de aprimorar a educação no trânsito e para o trânsito, estabelecendo medidas mais severas para a punição das infrações no trânsito.
Desde os primeiros estudos e pesquisas realizados e passados 25 anos desde a publicação do artigo “Epilepsia e a medicina do tráfego”, os dados estatísticos apresentados foram substituídos. Levando em consideração o aumento demográfico, o Brasil, atualmente, possui uma população de mais de 189 milhões de habitantes e a frota aumentou para mais de 42 milhões de veículos. Diante disso, vemos, também, um aumento significativo no número de acidentes de trânsito: mais de 26 mil acidentes com vítimas fatais.
Devemos lembrar que dirigir é um privilégio e não um direito, e para que consiga este privilégio é necessário que a pessoa esteja apta, tanto física como mentalmente.

Albino Julio Sciesleski
Médico Psiquiatra








Bibliografia:
SCIESLESKI, Albino Júlio. Epilepsia e a medicina do tráfego. Revista Brasileira de Medicina do Tráfego, Vol. 1, N° 1, Setembro/1982, p. 19-23.
Censo Demográfico 2000. Rio de Janeiro: IBGE, 2000. Disponível em http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2000/populacao/censo2000_populacao.pdf
Impactos sociais e econômicos dos acidentes de trânsito nas rodovias brasileiras. Relatório Executivo. Brasília: IPEA/DENATRAN/ANTP, 2000. Disponível em http://www.infoseg.gov.br/renaest/inicio.do;jsessionid= F629F90BCB6509FA4558DA2A8622A6A2

TERAPIA: Um mal ou um bem necessário?


Sempre que falamos em terapia estamos considerando a presença de uma doença no organismo que necessita de cuidados e tratamentos especiais.
Chamamos de organismo todos os componentes que formam o ser humano – físico, mente, alma – podendo também ser referência de outros seres da natureza.
Quando a doença é física, a dor e os sintomas são mais evidentes, são palpáveis e, aparentemente, mais desconfortáveis. Por isso e também por questões culturais já aprendemos a procurar um médico.
No entanto, nas doenças psíquicas e emocionais ainda não temos uma boa referência quanto à terapia ou, ainda, as consideramos “coisa de louco” ou “artigo de luxo” e, conseqüentemente, não faz parte da grande maioria do universo dos cidadãos brasileiros.
Porém, contrariando nosso pensamento e comportamento, há um crescente aumento das doenças psíquicas e emocionais, como depressão, vícios e problemas de aprendizagem, por exemplo. Estas, a exemplo das doenças físicas, também trazem sofrimentos intensos que conduzem à traumatização não somente de quem possui o distúrbio, assim como todos que o cercam.
Por que este aumento significativo das chamadas doenças da mente e das emoções? E por que a resistência em procurar ajuda?
Encontramos várias respostas para o que chamamos de doenças da psique humana. Basta olhar para o mundo que nos cerca e para o modo como estamos vivendo e logo surgem algumas explicações: a necessidade crescente de consumo, a insatisfação, a violência, as exigências sociais, a ausência de valores, o pouco cultivo da espiritualidade, a agitação, a falta de tempo.
Silva[1] aponta que:


Há os carros do ano, os televisores, os computadores, os bens e insumos da tecnologia de ponta; há os mostruários, as vitrines dos luxuosos shoppings, que definitivamente estão fora do alcance dos deserdados pela sorte. Isto é desequilíbrio social, é violência generalizada. As pessoas dos centros urbanos destes tristes tempos tornaram-se agressivas, desassossegadas, ansiosas, tensas, estressadas, demasiadamente grosseiras. A amizade, a sinceridade, solidariedade, a preocupação com o semelhante, a empatia, etc., são valores perdidos pela sociedade urbana. Gemem os famintos desnutridos, os doentes sem assistência médica hospitalar. Da mesma forma murmura a multidão carregada de encargos sociais, impostos, taxas exorbitantes e pesados aluguéis, etc. As dívidas e a inadimplência tem pego a todos; da mesma forma que nos devem, devemos aos outros. Ninguém vive com tranqüilidade, todos estão mergulhados nas preocupações, que estão despedaçando o cérebro e ninguém mais tem felicidade.


Chamamos estas questões de fatores externos. Porém não podemos esquecer que são “criações” nossas e que consciente ou inconscientemente nos sentimos co-responsáveis e até “culpados” por muitas situações que estão a nossa volta.
Há também o que chamamos de fatores internos. Para a Psicologia e a Psicanálise, por exemplo, importa buscar as causas do comportamento em algo que internamente não foi elaborado, aceito ou assimilado. Para a Neuropsiquiatria, muitos destes fatores internos são distúrbios orgânicos advindos do mau funcionamento cerebral e hormonal. Para a Psicopedagogia podem ser aprendizagens mal elaboradas, distúrbios na constituição do sujeito - falta de referência ou referência negativa acerca de si mesmo – ou incapacidade para aprender. Tais doenças não somente são difíceis de diagnosticar como também são difíceis de serem admitidas. Por exemplo, da criança ou da pessoa que não aprende é mais fácil dizer que é preguiçoso, é “burro”; da pessoa que bebe, que é “mau caráter”, “sem vergonha”; do depressivo, que merece uma boa “surra”, que é “vagabundo”, que não quer trabalhar.
Diante destas questões percebemos o quanto é difícil procurar o tratamento adequado e necessário. Muitas vezes quando o fazemos, a doença já está cronificada e sua cura bem mais difícil.
Temos que admitir também que os terapeutas deverão abrir-se para as realidades sócio-econômicas.A tendência é de que a medicina se socialize cada vez mais tanto nos aspectos relativos ao conhecimento quanto nas questões que dizem respeito aos convênios, honorários e até mesmos atendimentos pelo SUS e/ou em plantões ambulatoriais. O que queremos destacar é a importância de tornar nossos serviços acessíveis e compreensíveis a toda população.
É preciso reaprender nossa missão em relação à saúde e a nossa responsabilidade sobre ela. Outra aprendizagem decorrente desta compreensão é o estabelecimento dos limites de ação entre os diferentes profissionais da alma humana e como desenvolver ações conjuntas e interdisciplinares com outras áreas médicas sem que o paciente se sinta cindido, partido em seu bolso e em seu tempo.
A quem procurar? Essa deve ser a pergunta que paciente e família angustiadamente fazem diante das dificuldades e da doença. Ao que respondemos: sem sombra de dúvidas, o médico e/ou o terapeuta de sua confiança. Por certo, se ele estiver adequado ao seu tempo, agirá interdisciplinarmente, dando ao caso a direção necessária.
Por fim, é necessário trilhar os caminhos da ciência, mas também é necessário abrir-se ao mundo e as suas novas e futuras realidades, esclarecendo e permitindo a todos o acesso à saúde e à cura. Por certo isto não virá apenas de vontade política, mas da vontade e da consciência de todos nós.
Admitir que estamos doentes também é um passo importante para a busca da terapia e da cura. Depressão, transtornos e vícios são doenças silenciosas e até mesmo invisíveis ou imperceptíveis aos olhos dos outros. Muitos pacientes ficam tentando driblar a doença e seus sintomas com muito esforço e com o pensamento onipotente de que poderão obter a cura sozinhos.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2020, a depressão será a segunda maior causa de incapacitação da população mundial, perdendo apenas para a doença cardíaca isquêmica[2].
Lembramos que doença é doença e somente mãos e mentes preparadas poderão trazer a saúde de volta.
Não é sinal de fraqueza, mas de sabedoria cuidar da alma com o mesmo cuidado com que cuidamos do corpo.

 Albino Julio Sciesleski
Médico Psiquiatra

Marisa Potiens Zílio
Psicopedagoga




[1]Silva, Maurício. Violência, desafio e paz. Disponível em http://www.evirt.com.br/desafio/cap04.htm.
[2]Fonte: Jornal Zero Hora, edição 15012, de 30 de setembro de 2006.

ESQUIZOFRENIA


Vivemos, atualmente, uma realidade conturbada. E esta realidade faz com que, algumas vezes, duvidemos de nossa própria sanidade e da dos outros.
Comumente ouvimos expressões do tipo: “O mundo está louco!” ou “As pessoas estão transtornadas!”.
O limite entre a fantasia e a realidade, a verdade e a mentira, a racionalidade e a irracionalidade está cada vez mais tênue. Porém, não é desta insanidade ou deste mundo que queremos falar, mas sim de uma doença que atinge um percentual significativo da população, um transtorno chamado esquizofrenia.

O que é esquizofrenia?
Esquizofrenia é uma doença mental que se caracteriza por uma desorganização ampla dos processos mentais. É um quadro complexo, que apresenta sinais e sintomas na área do pensamento, das percepções e das emoções, causando marcados prejuízos ocupacionais e nas relações interpessoais e familiares.
Nesse quadro, a pessoa perde o sentido de realidade, ficando incapaz de distinguir a experiência real da imaginária. Essa doença se manifesta em crises agudas, com sintomatologia intensa, e intercaladas com períodos de remissão, quando há um abrandamento de sintomas, restando alguns deles em menor intensidade.
A esquizofremia é uma doença do cérebro, com manifestações psíquicas, que começa no final da adolescência ou início da idade adulta, antes dos 40 anos. O curso desta doença é sempre crônico com marcada tendência à deterioração da personalidade do indivíduo.

Como se desenvolve?
Até hoje não se conhece nenhum fator específico causador da esquizofrenia. Há, no entanto, evidências de que seria decorrente de uma combinação de fatores biológicos, genéticos e ambientais que contribuiriam em diferentes graus para o aparecimento e desenvolvimento da doença. Sabe-se, também, que filhos de indivíduos esquizofrênicos têm uma chance de aproximadamente 10% de desenvolver a doença, enquanto na população geral o risco de desenvolver a doença é de aproximadamente 1%.
A esquizofrenia pode desenvolver-se gradualmente, tão lentamente que nem o paciente nem as pessoas próximas percebem que algo vai errado: só quando comportamentos abertamente desviantes se manifestam. O período entre a normalidade e a doença deflagrada pode levar meses.
Por outro lado, há pacientes que desenvolvem a esquizofrenia rapidamente, em questão de poucas semanas ou mesmo de dias. A pessoa muda seu comportamento e entra no mundo esquizofrênico, o que geralmente alarma e assusta muitos os parentes.
Desta forma, não há uma regra fixa quanto ao modo de início: tanto pode começar repentinamente e eclodir numa crise exuberante, como começar lentamente sem apresentar mudanças extraordinárias e somente depois de anos surgir uma crise característica.

Quais são os sintomas da esquizofrenia ?
De regra, os primeiros sintomas são dificuldade de concentração – prejudicando o rendimento nos estudos –, estados de tensão de origem desconhecida inclusive pela própria pessoa e insônia e desinteresse pelas atividades sociais com conseqüente isolamento.
A partir de certo momento, mesmo antes da esquizofrenia ter deflagrado, as pessoas próximas se dão conta de que algo errado está acontecendo. Nos dias de hoje, os pais poderão pensar que se trata de drogas, os amigos podem achar que são dúvidas quanto à sexualidade, outros julgarão ser dúvidas existenciais próprias da idade. A permanência da dificuldade de concentração levará à interrupção dos estudos e perda do trabalho. É comum nesta fase o desleixo com a aparência ou mudanças no visual em relação ao modo de ser, como a realização de tatuagens, piercing, cortes de cabelo, indumentárias estranhas e descuido com a higiene pessoal. Desde o surgimento dos hippies e dos punks, essas formas estranhas de se apresentar, deixaram de ser tão “estranhas” aos nossos olhos e, talvez, por isso, o doente pode ser confundido como “rebelde” ou um “desviante social”.

E a família?
A fase inicial pode durar meses, enquanto a família espera por uma recuperação do comportamento. Contudo, o tempo passa e os sintomas se aprofundam. Então, o paciente apresenta uma conversa estranha, irreal, passa a ter experiências diferentes e não usuais, o que leva as pessoas próximas a julgarem ainda mais que o paciente está fazendo uso de drogas ilícitas. É possível que o paciente já tenha sintomas psicóticos antes de ser levado a um médico.
Quando um fato grave acontece não há mais meios de se negar que algo muito errado está ocorrendo, seja por uma atitude fisicamente agressiva, seja por tentativa de suicídio. Pensam ser outra pessoa, falam com mortos ou com imagens fantasiosas.

Quais são os quadros da esquizofrenia?
Como as pessoas são diferentes entre si, os quadros de esquizofrenia podem variar de paciente para paciente. No entanto, a esquizofrenia, por via de regra, é uma combinação em diferentes graus dos sintomas abaixo relacionados:
·         Delírios: o individuo crê em idéias falsas, irracionais ou sem lógica. Em geral, são temas de perseguição, grandezas ou místicos.
·         Alucinações: o paciente percebe estímulos que na realidade não existem, como ouvir vozes ou pensamentos, enxergar pessoas ou vultos. Este tipo de sintoma pode ser muito assustador para o paciente.
·         Discurso e pensamento desorganizado: o paciente esquizofrênico fala de maneira ilógica e desconexa, demonstrando uma incapacidade de organizar o pensamento em uma seqüência lógica.
·         Expressão das emoções: o paciente esquizofrênico tem um afeto inadequado ou embotado, ou seja, uma dificuldade de demonstrar a emoção que está sentindo – alegria ou tristeza, por exemplo – , tendo dificuldade de modular o afeto de acordo com o contexto, mostrando-se indiferente a diversas situações do cotidiano.

·         Alterações de comportamento: os pacientes podem ser impulsivos, agitados ou retraídos, muitas vezes apresentando risco de suicídio ou agressão, além de exposição moral, como por exemplo falar sozinho em voz alta ou andar sem roupa em público.

Como o médico faz o diagnóstico?
Para obter o diagnóstico da esquizofrenia, o médico realiza uma entrevista com o paciente e sua família, visando obter um histórico de sua vida e de seus sintomas, com o maior detalhadamente possível. Até o presente momento não existem marcadores biológicos próprios dessa doença, tampouco exames complementares específicos, embora existam evidências de alterações da anatomia cerebral, demonstráveis em exames de neuro-imagem e de metabolismo cerebral sofisticado, como a tomografia computadorizada e ressonância magnética, entre outros.
Além de fazer o diagnóstico, o médico deve identificar qual é o subtipo clínico que o paciente apresenta. Essa diferença se baseia nos sintomas que predominam em cada pessoa e na evolução da doença, que é variada conforme o subtipo específico. Os principais subtipos são:

·         Paranóide (delírios e alucinações);
·         Desorganizada ou hebefrênica (predomínio de alterações da afetividade e desorganização do pensamento);
·         Catatônico (alterações da motricidade);
·         Simples (diminuição da vontade e afetividade, empobrecimento do pensamento);
·         Residual (estágio crônico da doença, com muita deterioração e pouca sintomatologia produtiva).

Como tratar?
O tratamento exige o uso de medicação acompanhada, impreterivelmente, pelo médico psiquiatra, a terapia cognitiva-comportamental e intervenções psicossociais. Estas intervenções incluem: terapia familiar, reabilitação social, cognitiva e ocupacional.
Pela gravidade da doença, muitas vezes as internações são imprescindíveis, mas o suporte dado à família é fundamental para que, apesar da gravidade da doença, todos possam manter-se mais saudáveis.
Que a esquizofrenia é uma doença grave, ninguém duvida. Ela afeta as emoções, o pensamento, as percepções e o comportamento.
Ela é, também, sem dúvidas, a doença mais grave da psiquiatria. Até hoje a medicina não desenvolveu nenhum método para sua cura, mas apenas recursos para controle dos sintomas, entre eles as medicações e a eletroconvulsoterapia. Em casos mais graves há, ainda, necessidade do isolamento do paciente.
No entanto, até chegarmos a esta decisão temos caminhos a percorrer que incluem, além da medicação e da eletroconvulsoterapia, saber lidar com a doença e defender seus próprios egos.


Albino Julio Sciesleski
Médico Psiquiatra

Marisa Potiens Zilio
Psicopedagoga

Anorexia e Bulimia

Nestes últimos tempos, muito se tem falado sobre a anorexia e a bulimia, doenças silenciosas que se instalam em nossos lares e vão tomando conta de nossos entes mais queridos. Quando damo-nos conta de sua presença, às vezes, poderá tarde demais para buscar ajuda médica adequada.
Contudo, o que é anorexia e bulimia? De que maneira estas doenças afetam aqueles que amamos? Por que elas são, de certa forma, tão “monstruosas”? Com o que exatamente estamos lidando?
Para esclarecer, anorexia e bulimia não são exatamente a mesma coisa, apesar de ambas estarem diretamente ligadas a transtornos alimentares. Entretanto, enquanto a anorexia caracteriza-se pela recusa do indivíduo em se alimentar (sem significar perda de apetite), a bulimia consiste na ingestão compulsiva de uma quantidade de alimento definitivamente maior da real necessidade do indivíduo, aliado a métodos compensatórios, como provocar vômitos, por exemplo.
Assim, os temas “anorexia e bulimia”, tão explorados atualmente, assim como outras doenças do trato psicológico, exigem não apenas o olhar sobre a saúde física e mental, como também uma análise cultural, política, social e educacional, já que elas podem atingir pessoas oriundas de todas as camadas sociais, de todas as raças, de todos os graus de escolaridade e de ambos os sexos, embora predominantemente em mulheres.
Como ambas têm origem psíquica, vale-nos resgatar sua principal origem: o culto do belo e da perfeição. Desta forma, as características essenciais da anorexia e da bulimia se confundem: obsessão de magreza e medo mórbido de ganhar peso. A anorexia limita a ingestão de alimentos e a bulimia busca mecanismos (provocação de vômitos) para eliminar o excedente.
A cultura do belo tem remotas origens no passado da humanidade. Gregos, romanos, egípcios já possuíam, na antiguidade, seus conceitos de beleza. Somos escravos de uma sociedade que dita regras e impõe padrões de beleza. Mas a premissa de “uma mente sã em um corpo são” não pode ser esquecida. Não há corpo belo sem saúde, não há saúde quando a mente perde o controle sobre o corpo.
Desta forma, não é estranho que alguém se sinta culpado por ter se alimentado, que busca alternativas ou métodos compensatórios depois de ingerido o alimento? Ou, ainda, não é estranho que alguém negue a própria fome e desejo de comer? O culto pelo “belo”, pelo “perfeito” é tão ou mais importante que saciar nossos desejos mais primitivos como a necessidade de se alimentar?
A pirâmide de Maslow, a qual apresenta as necessidades humanas, nos mostra que para galgarmos os degraus, chegando às necessidades mais nobres e espirituais, ao patamar da transcendência de nossas limitações humanas, é necessário que todas as outras necessidades mais fundamentais tenham sido contempladas: as físicas (alimento, sono), as sociais (estudo, trabalho, produção), as psíquicas (de pertencimento, amor, dedicação). Então, por que abrimos mão do que é tão fundamental à nossa humanidade?
A educação também tem sua parcela de participação no processo que chamaria de desumanização. O papel da família e a escola estão, aos poucos, sendo modificados, muitas vezes esquecidos de seus reais valores da vida e de seus reais objetivos que deveriam ser a busca da educação destes novos tempos no que tange à ensinar, criar e, principalmente pensar e refletir.
Falta de consciência? Inversão de valores?
Somente a consciência de si mesmo poderá trazer de volta sua própria valorização. Precisamos (re)aprender a olhar para nós mesmos, buscando todas as “nossas reais belezas”, sejam elas físicas, psíquicas ou espirituais, aprendendo a (re)construí-las.
A paz interior e exterior nascem de um desejo. É necessário recriar nossos desejos, nossos valores e nossos conceitos.
A anorexia e a bulimia têm cura. São transtornos que podem ser tratados e recuperados. Mas, assim como todas as doenças psíquicas, o primeiro passo para sua cura depende do querer do paciente, da aceitação do distúrbio como doença. Existem profissionais altamente capacitados que poderão auxiliar no tratamento, indicando a terapia que melhor convém ao paciente. No entanto, cabe lembrar que o trabalho realizado por profissionais competentes só terá validade quando amparados pelo grupo familiar e social em que o indivíduo está inserido, bem como na capacidade de discernimento do paciente em aceitar e querer o tratamento. A doença pode estar associada a outras doenças por isso requer uma boa avaliação e conseqüente diagnóstico para se efetivar um tratamento adequado e bom resultado.
Para trazer de volta a consciência e o equilíbrio da mente, os profissionais da área psíquica são indispensáveis. No entanto, as doenças requerem equipe multidisciplinar para a investigação e o tratamento adequado dos fatores que causaram e as possíveis seqüelas que geraram, como as de ordem metabólicas, cardiovasculares, imunológicas, infecciosas e gastroenterológicas.
Melhorais iniciais, no começo de qualquer tratamento, não significam nada. O tratamento da anorexia e da bulimia pode se arrastar por muito tempo. As recaídas e a cronificação com baixo peso e isolamento social são mais freqüentes do que a cura completa.
Por isso, mais uma vez ressaltamos a importância do acompanhamento familiar para o sucesso do tratamento que será efetivado com antidepressivos, psicoterapia e acompanhamento endócrino e nutricional e internação hospitalar, se necessário
Também é importante colocar que os principais objetivos do tratamento da anorexia e da bulimia é salvar a vida do paciente e para tanto é preciso que o mesmo ganhe peso e trate intercorrências orgânicas da desnutrição.
Voltamos a afirmar, em tom de alerta, que como quaisquer outras doenças, o tratamento tem mais eficácia quando for procurado o mais rápido possível.
Estejamos atentos.


Albino Julio Sciesleski
Médico Psiquiatra

Marisa Potiens Zilio
Psicopedagoga



Compulsão ou Obsessão


Nas sociedades globalizadas é comum que todas as pessoas tenham acesso a informações advindas das diferentes evoluções científicas e tecnológicas. Estas informações acabam por contribuir para que todos possam ser mais preventivos e atentos aos problemas, sejam de caráter social, cientifico, ecológico ou tecnológico.
A medicina, neste sentido, tem se popularizado. Há, nos diferentes meios de comunicação, pessoas especializadas em colher informações e passá-las à população. Todos estão ganhando e a saúde está melhor.
No entanto, apesar de toda esta evolução, ainda nos deparamos com doenças de pouca compreensão e solução, às vezes também usamos linguagens não bem compreendidas. Uma delas é o Transtorno Obsessivo-Compulsivo – TOC – uma doença muitas vezes difícil de ser avaliada, diagnosticada e tratada.
Mas, afinal o que é TOC?                                                                                   
O TOC está ligado a transtornos da personalidade com histórias de somatizações e sintomas psiquiátricos. É uma doença de evolução, que pode se tornar crônica, porque geralmente, passa desapercebida e quando diagnosticada já tem longa evolução(duração). Ela tanto pode surgir de forma abrupta, após algum evento desencadeante, ou insidiosamente sem que esteja associada a algum evento estressante importante.
As características fundamentais dos pacientes portadores do TOC são as compulsões e obsessões. Entretanto, esses sintomas costumam estar presentes em vários outros quadros psiquiátricos, notadamente nos quadros depressivos e ansiosos.
Nas obsessões, observa-se a dúvida, a ruminação e o perfeccionismo. Entre os obsessivos registrou-se, além da dúvida e a ruminação, as obsessões impulsivas, a hipocondria obsessiva e as fobias, as obsessões suicidas e homicidas, as obsessões de culpa, as de antecipação, as mágicas, e as obsessões ecomofóbicas (temor a objetos pontiagudos e afiados).
As compulsões consistem nas de “comprovação” como, por exemplo, lavar repetitivamente as mãos e formular perguntas mórbidas e rituais. Outros sintomas avaliados que são freqüentes se referem ao estado de ânimo/humor, ansiedade e, ainda, aos sintomas psicóticos e ao abuso de álcool e drogas.
Quando os sintomas do TOC aparecem de forma aguda ou desconcertante é normal a procura de ajuda pelo paciente e/ou pela família. No entanto, há sintomas sutis, como a necessidade de ter sempre tudo absolutamente limpo e ordenado (mania de limpeza), voltando a repetir atos já executados, como tirar o pó da casa várias vezes ao dia. Este ato, num primeiro momento, pode ser confundido com “qualidade”, tornando crônica a obsessão, que fragiliza e confunde a pessoa, tornando mais difícil o tratamento.
Por que este comportamento? Está na história-vital do paciente? É fruto de traumas, de vivências? Há componentes orgânicos, psíquicos?
São respostas difíceis de encontrar, sendo que os estudos geralmente apontam para os sintomas e poucos falam de suas causas.
Podemos considerar o TOC como fruto do medo excessivo: de adoecer, de engordar ou de emagrecer, de não fazer direito, de ser culpado, de morrer ou de matar, do escuro, de determinados objetivos, das críticas. O que queremos dizer é que o medo é um dos desencadeadores do transtorno, assim como uma variedade de anormalidades biológicas, entre elas nascimento traumático, sofrimento cerebral, alterações cromossômicas.

A psicoterapia no TOC:
Os tratamentos do TOC envolvem psicoterapia e farmacologia. Numerosas pesquisas sugerem fortemente um envolvimento da serotonina, um neurotransmissor, na fisiologia do TOC. Esses estudos se baseiam nas respostas terapêuticas de 40 a 60% dos pacientes tratados com antidepressivos que proporcionam a recaptação de serotonina.
Um aspecto importante do tratamento do TOC é a chamada terapia cognitivo-comportamental (TCC). Considerado um dos tratamentos de primeira linha, juntamente com os medicamentos. A TCC baseia-se na constatação de que, se o paciente desafia seus medos, expondo-se às situações que evita ou tocando nos objetos que considera contaminado (exposição) e, ao mesmo tempo, deixa de realizar os rituais de descontaminação ou verificações (prevenção da resposta). Embora num primeiro momento a aflição aumente, em pouco tempo ela tende a diminuir até desaparecer por completo e espontaneamente (habituação).
Por fim, o importante é procurar ajuda o mais cedo possível, não deixando cronificar a doença e seus sintomas e ter a certeza de uma vida mais ajustada e produtiva.

Caso A:
Em nossa experiência, vários casos nos chamaram a atenção e, em especial, o de uma menina de 10 anos, filha única.
A menina veio acompanhada de seus pais, assustados, cuja queixa era de que ela possuía muitos “tiques” (movimentos involuntários) e que eles não sabiam mais o que fazer. Ao ver a criança, confessamos que também nos impressionou o estado em que se encontrava. Eram tantos os movimentos que a menina estava extenuada, suava muito e se queixava de cansaço. Havia emagrecido consideravelmente nos últimos meses.
A primeira atitude foi encaminhá-la ao neuropediatra para uma investigação neurológica. A segunda, foi a realização de várias entrevistas com os pais e com a criança. O pai estava comprometido com grave doença e a mãe muito infeliz com o casamento. Ambos colocavam sobre a criança todas as esperanças de que a vida pudesse ter algum sentido. Tomada pelo desejo dos pais, a menina desenvolvera várias atitudes obsessivas/compulsivas. Repetia os temas escolares. Alisava os lençóis da cama vários vezes antes de deitar, não saía de casa antes de verificar se tudo estava em ordem, repetindo gestos de ligar e desligar tomadas, abrir e fechas as portas.
Após exame neurológico, a menina passou a ter acompanhamento do psiquiatra, foi medicada e recomendada a Terapia Cognitiva Comportamental – TCC, tanto para ela quanto para a família.
De imediato, os “tiques” ficaram significativamente amenizados e, com o tempo, foram desaparecendo.
Na terapia pudemos trabalhar as questões da percepção de si mesma para que a criança fosse se desvinculando dos “desejos” dos pais. Com os pais refizemos a significação da vida, bem como trabalhamos suas atitudes e condutas em relação à filha.
O tratamento durou 1 ano.
O afastamento da terapia foi espontâneo.

Albino Julio Sciesleski
Médico Psiquiatra
Marisa Potiens Zílio
Psicopedagoga

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

DOENÇA DO PÂNICO



     
O distúrbio do pânico é uma afecção debilitante que atinge pelo menos, uma em cada 75 pessoas no Brasil e no mundo. Os sintomas começam com crises inesperadas de medo, medo sem explicação: medo, medo sem explicação: medo de ficar só, de dirigir, de ficar em grupo, de altura, de lugares fechados. Nesses episódios ocorrem palpitações, o coração dispara e ao mesmo tempo parece que vai parar, crises de ansiedade generalizada, medo da morte de ficar louco. Aparecem sintomas complementares como mal gástrico, abdominais, sudorese, tonturas, dor de cabeça, formigamento, falta de ar provocando sintomas variados psicossomáticos.


O pânico muitas vezes leva o individuo a buscar consolo nas bebidas alcoólicas e nas drogas, que são usadas como remédios no principio amenizam os sintomas, mas aos poucos as doses aumentam levando essas pessoas ao vício.




QUAL É A ORIGEM?


A maior parte tem origem hereditária, ou seja, mais membros na família que possuem a mesma doença com as mesmas características. 




O indivíduo que possuir as características da doença do pânico deve ter auxílio técnico e ser tratado. Para que isso aconteça, familiares e amigos devem auxiliar na busca do terapeuta, pois muitas vezes o estado é tão grave que o paciente já não tem autocrítica e não percebe a gravidade da situação.

CASOS REATIVOS 


Nos casos reativos, toma-se como exemplo as pessoas que presenciam um assalto grave, ou são assaltadas com armas ou sofrem um acidente que resultam perda de um amigo ou parente querido,a partir disso o individuo passa a apresentar uma síndrome do pânico, reativa ao episodio. Os casos reativos são menos expressivos e graves e os tratamentos são com resultados melhores e de mais fácil resolução.




O QUE ACONTECE?


Se o individuo não for tratado adequadamente ele poderá passar por conflitos no trabalho com colegas, com o chefe além de ter uma diminuição no rendimento. Em casa poderá desentender-se com os familiares e em caso de ainda estar estudando, ter uma conflituosa convivência na escola, perante os colegas e professores.




Se a doença não for bem administrada e tratada corretamente o rendimento de vida de um modo geral, vai decaindo de qualidade, tornando a pessoa debilitada e fazendo com que a essa deixe de buscar a felicidade.




ENTÃO O QUE FAZER? 
Aceitação e tolerância: O paciente deve procurar tratamento e aceitar e administrando-o ao mesmo tempo. É o primeiro passo e o mais importante. 
A família deve entender e colaborar. 
O Tratamento cognitivo comportamental-psicoterapia. 
Tratamento farmacológico: psicofármacos, antidepressivos, ansiolíticos e acompanhamento com um bom terapeuta. 




Albino Julio Sciesleski
Marisa Potiens Zilio


Transtorno do humor e do afeto



Exemplo de caso:
Lúcia era uma jovem, alegre e simpática. Era daquelas pessoas que tomava conta da festa, vestia-se bem, estudava, trabalhava. Aos poucos, começamos a perceber uma irritação momentânea por motivos torpes.“ — Você está estressada? Quem sabe é hora de rever sua vida, suas atividades?” Perguntavam os amigos.Lúcia queixava-se constantemente do mundo e de todos. Parecia que o mundo, bem como todos, estavam totalmente errados.“ — Não gosto do Fulano porque...” Dizia ela.Ou:“ — Viu só o jeito do Siclano?”Ainda:“ — Se ele não chegar até as 7h como combinado...”Exigências à parte, aquela moça alegre e simpática foi dando lugar a uma jovem irritante e irritada, que todos evitavam.Isto quando, não achava-se a toda poderosa, tomando conta das conversas, contando grandezas, mentindo acreditando ser verdade, dentre outros sintomas.Contrariá-la? Nem pensar! Era guerra na certa!Lúcia não tinha escuta. Pior, não ouvia a si mesma. Sofria, mas não admitia, não procurava ajuda. Estava indo para o fundo do poço!!São vários os transtornos do humor e do afeto. Ou melhor, são vários os sintomas e suas classificações, mas todos eles são de um grande sofrimento tanto para a pessoa doente quanto para os que estão ao seu redor.  Vejamos como podem se classificar e ser tratados.

O transtorno do humor e do afeto é a doença de maior enfoque no momento; é a afecção que mais cresce no mundo desenvolvido; é a terceira doença mundial. Dados apresentados em estudos e colhidos de nossa própria experiência apontam para esta realidade social. Economicamente, o transtorno do humor e do afeto, tanto para o indivíduo, quanto para os pais, causam profundos danos.

Hipomania: O transtorno do humor pode iniciar com leves distúrbios, sintomas mais leves, com os quais as pessoas conseguem viver socialmente. São características dos hipomaníacos (menos que maníacos) falar demais, comportando-se sempre com jovialidade e jocosidade, às vezes impulsivo, com pouco sono, auto confiança exagerada, assim como otimismo, gastos exagerados, com comportamento e manifestações sexuais desinibidos.

Ciclotimia: Pessoas com essa doença, são portadoras de distorções ora depressivas, ora hipomaníacas; são instáveis emocionalmente, jovens que se apresentam com rupturas sociais, tais como fracassos na linha de trabalho, extravagâncias financeiras, mudanças em cursos universitários, mudanças de moradia. Têm uma vida com muitos altos e baixos. Sua autoconfiança se apresenta boa ou ruim, está na tristeza ou na alegria, fala pouco ou demais chora ou ri sem explicação; têm pensamento lento ou rápido ou repetitivo. Isso caracteriza a ciclotimia, instabilidade emocional que pode comprometer no trabalho, na escola, com amigos e com a família. Na adolescência, é mais freqüente, podendo ser diagnosticada quando o comportamento ciclotímico é exacerbado.

Hipermaníaco: Mais para cima, difícil de ver os limites entre temperamento, comportamento hipermaníaco e normalidade. Por quê? O hipermaníaco para cima, é exuberante, jovial, jocoso, otimista, exagerado, inquieto, falando muito sempre com auto confiança “eu sou isso, sou aquilo, eu fiz isso, fiz aquilo”; têm muita disposição e muita energia, em muitos projetos e planos, muito versátil, envolvido e intrometido, desinibido e sem medo de riscos, vivem bem profissionalmente e socialmente, mas, muitas vezes, têm que buscar alguém para melhorar sua qualidade de vida, administrando melhor seus conflitos, de comportamento social e sexual desinibido.

Mania: A fase maníaca faz parte do transtorno afetivo bipolar, que aparece do mesmo modo como o episódio depressivo, que pode desenvolver a depressão espontaneamente ou até desencadeado após o referido episódio depressivo pelo uso de antidepressivos no tratamento efetivado para depressão, por isso o acompanhamento psiquiátrico-psicológico é importante para esse controle. A mania começa com insônia, ansiedade, fala exagerada, ri sem motivo e exageradamente; quando o quadro se altera mais, vêm os delírios de grandeza, desconfiança, por vezes mania de perseguição, que falam mal dele. Pessoas com esse distúrbio chegam a gastar mais do que podem e pagam com cheques sem fundos, sem controle e sem muita crítica.

Quadros depressivos: A depressão, em diferentes graus, afeta corpo e mente. O portador de depressão leve poderá apresentar sintomas emocionais e físicos associados ou independentes, tais como: agressividade, distúrbio do apetite, impulsão, compulsão, tristeza, ideação suicida, dores, tonturas, baixa energia, alteração do sono. Os sintomas iniciam com nervosismo, tristeza, desânimo, vontade de chorar, baixa energia e uma pequena alteração do sono. 

Quando a depressão já está na fase moderada, as queixas são maiores, pois mais intensos são os sintomas.

Na fase avançada, depressão é grave porque os sintomas aumentam mais ainda, ansiedade, tristeza, desânimo, choro, medos inexplicáveis, sensação de que algo ruim vai acontecer logo. A pessoa depressiva tende a ficar só, no escuro; evita encontros, festas, passeios, enfim, evolui a sensação que ninguém lhe gosta, acompanhada de pessimismo, ideias negativas, tentativas de suicídio. Às vezes, o depressivo começa a usar álcool e drogas que, no início ajudam a combater os sintomas, mas que depois aumentam os sintomas e levam ao vício, aí instalam- se duas doenças. Por vezes, a pessoa tem crises de pânico, associadas à depressão.

Há também a depressão pós-parto que é perigosa, sendo mais frequente em quem já teve crise depressiva, mas pode aparecer pela primeira vez após o parto e deve ser tratada imediatamente. 

Depressão reativa: Quando se perde um ente querido por morte, ou perde-se dinheiro ou emprego, todas essas dificuldades tendem a adoecer a pessoa. Aqueles que têm a personalidade característica, têm crises mais fáceis, tanto depressivas como maníacas, o que exige que o tratamento seja feito com muito cuidado, sejam administradas doses certas, remédios bons e no tempo certo até curar o paciente.

Se a pessoa não tem características genéticas e de personalidade para o mesmo caso, o tratamento pode ser realizado com mais tempo, o que, geralmente, garante uma resposta rápida e melhor.

É preciso lembrar que as recaídas podem ocorrer. Isso é normal, porém são mais freqüentes, quando o tratamento não é bem feito. E para evitar isso, a dosagem deve ser administrada corretamente, como o remédio indicado e no tempo certo e evitar a cronicidade da doença.

Atualmente, a medicina preventiva vem evoluindo fortemente, fazendo com que o nível de vida melhore e a idade média aumente. Ninguém quer ficar doente, mas as doenças vêm sem que desejemos, pois algumas têm caracteres genéticos hereditários, como o diabetes, a pressão alta e outras.

A depressão também pode ser vista assim: 80% da doença é de caráter hereditário e 20% é reativa. Por isso, temos que nos educar para enfrentar a doença. Em primeiro lugar, o paciente tem que aceitar e realizar o tratamento efetivamente; conhecer a história de sua doença; buscar o terapeuta; usar a medicação indicada, na dosagem e no tempo necessário. A contribuição da família, dos amigos, dos colegas de trabalho, da sociedade é importante. A boa relação com o terapeuta, médico-psiquiatra-psicológico, é importantíssima para uma psicoterapia comportamental-cognitiva, o que certamente ajudará no resultado mais efetivo dos psicofármacos (remédios), e isso faz com que se entenda mais a doença, realizando adequadamente o tratamento, obtendo ótimo resultado, melhorando a vida com a família, com os amigos, com os colegas de trabalho e com a sociedade.

Albino Julio Sciesleski
Marisa Potiens Zilio